terça-feira, 3 de novembro de 2009

UM GENE CAPITALISTA ?

google / photo

Texto : Gracieli Oliveira

No livro “ Um às Esmolas ”, o escocês Gregory Clark diz que o sucesso das nações depende mais das características da população do que das instituições

Uma das questões que mais intrigam os economistas é porque alguns povos tem facilidade em acumular riqueza, enquanto outras estão obrigadas a ficar para trás. Muitos estudos já foram feitos acerca deste tema, no entanto, uma tese recente do professor escocês Gregory Clark, da Universidade da Califórnia tem sido convincente.
Clark atribui o sucesso ou fracasso econômico às características individuais dos cidadãos de cada nação. Segundo ele, de nada adianta um país ter sistema econômico, leis e instituições propícios ao crescimento se a maior parte da população não for composta de pessoas naturalmente dotadas das qualidades necessárias para ascender em uma economia de mercado.
O autor nomeou sua teoria de “sobrevivência dos ricos”. Clark cruzou dados da Inglaterra entre os anos de 1200 e 1800. Ao analisar os ingleses, ele verificou que as pessoas que melhor desenvolviam-se economicamente não eram os nobres nem os camponeses, mas os integrantes das camadas médias da sociedade. Isto é, aqueles que se reproduziam com mais eficiência eram os mais produtivos e bem-sucedidos economicamente.
O jornalista Diogo Schelp, que escreveu esta matéria à Revista Veja explica que a teoria de Clark baseia-se no seguinte: “Na Inglaterra pré-industrial, havia uma intensa mobilidade para baixo das camadas médias da população. Eram os filhos de família abastadas que, por não contarem com um bom quinhão de herança, dada a prole ser imensa, desciam alguns degraus da pirâmide social. Porém, eles levavam consigo conhecimento e iniciativa. Esse fato aliado à reduzida fecundidade das famílias pobres e a eventuais pragas que os ceifavam, fez com que as camadas mais baixas da sociedade fosse sendo ocupadas por descendentes de gente não só mais rica, como mais bem preparada”.
Clark escreveu esta tese, segundo Schelp, por não se contentar com as teorias já existentes. Ele cita Karl Marx e sua teoria de acumulação de capital; Jared Diamond e sua teoria embasada no fator clima para o desenvolvimento econômico; Max Weber e sua teoria de cunho religioso que enfatiza a ética protestante; e por fim a teoria de Adam Smith que afirma uma divisão apropriada da mão-de-obra pela sociedade, com cada pessoa se especializando naquilo que sabe fazer melhor, seria a melhor maneira de aumentar a produtividade e a riqueza de uma nação. Clark até concorda em partes com Smith, contudo ele não acredita que por si só seja suficiente para que os países desenvolvam.
Muitos sociólogos atribuem essa tese a ideologias racistas, mas Clark reage dizendo que “em genética há apenas pequenas diferenças entre populações, no entanto existe uma enorme variedade entre indivíduos. O destino está nas mãos de cada um. O fato de uma pessoa pertencer a um grupo populacional que fracassou economicamente não significa que ele vai pelo mesmo caminho. A herança genética não é o único componente para o sucesso, mas não há dúvida de que ele existe”.
Imagine se essa moda pega. Daqui algumas décadas, estarão mudando a genética em nome do capitalismo do sucesso.

Nota do Blog : Revista Veja- edição 2133/Outubro 2009
Por: Diogo Schelp

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Já que ninguém comenta, eu vou comentar. Esse blog é demais... matérias muito interessantes...e pertinentes à realidade! Essa do capitalismo considero a melhor. (hahaha)
    Mas calma, ainda teremos da Rafa, Lari e Aislla... isso se elas, ao invés de querer trocar de foto todo dia, fizerem a matéria.
    Enjoy it

    ResponderExcluir
  3. Mto bom o texto!

    Falando de Brasil, na verdade nosso problema vem da cultura e falta de educação.

    A EDUCAÇÃO FINANCEIRA é praticamente inexistente nas escolas, e isso faz toda a diferença no longo prazo do país.

    A cultura do "rico tem que se f..." também prejudica. Qualquer um que tenha um pouco a mais do que outro, já é invejado e considerado uma vitima que merece violência, porque afinal, se tem algo é porque roubou de quem não tem.

    Vixe... Muito complexo resolver esse problema. Precisaremos de uns 50 anos acertando.

    Mas no fim, estará sempre nas mãos de cada um. Se uma pessoa vive se queixando da falta de dinheiro, mas não tem interesse em aprender como lidar com ele, o que se pode fazer ?

    Abs e boa sorte pra vcs todos aqui.

    ResponderExcluir